Netanyahu e Khamenei mexem as peças em um tabuleiro explosivo Na madrugada de sexta-feira, Israel lançou um ataque pesado contra militares...
Netanyahu e Khamenei mexem as peças em um tabuleiro explosivo
Na madrugada de sexta-feira, Israel lançou um ataque pesado contra militares e instalações nucleares iranianas em Teerã, marcando uma escalada que já deixa o Oriente Médio em estado de tensão máxima. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, foi direto ao ponto: essa foi só a primeira rodada de uma ofensiva que vai durar o tempo que for necessário para parar o avanço rápido e descontrolado do programa nuclear do Irã.O tom firme de Netanyahu só aumentou o medo que já vinha crescendo nos últimos dias: estamos prestes a ver uma guerra regional de proporções imprevisíveis?
Pelas cenas do estrago e pela resposta agressiva do Irã logo depois, a resposta mais provável é “sim”. A dúvida que fica é: quem vai estar no meio dessa treta toda?
Israel planejou essa operação por um ano, usando inteligência de altíssima qualidade, diferente de tudo que já teve antes. A ideia foi um ataque cirúrgico em várias frentes, acertando direto em Teerã e tentando derrubar a capacidade de reação iraniana. Se antes Israel atacava de forma mais lenta e pontual, eliminando aos poucos militares, cientistas e danificando instalações importantes — como o famoso ataque cibernético às centrífugas da usina de Natanz —, agora Netanyahu apostou tudo numa ação “all-in”.
Com ataques simultâneos, eles atingiram bases militares e os principais laboratórios nucleares do Irã, mataram os chefes da Guarda Revolucionária e do Estado-Maior, o vice-comandante das Forças Armadas e outros oficiais importantes, além de dois dos principais cientistas do programa nuclear. Também há informações que um dos principais negociadores de acordos nucleares foi ferido.
Do lado iraniano, o aiatolá Ali Khamenei já prometeu “punição severa” e a Guarda Revolucionária avisou que vai buscar vingança. Para eles, o ataque foi uma humilhação que só alimentou a vontade de resistir e retaliar. Parar e aceitar? Nem pensar. O programa nuclear é a principal carta de defesa do Irã contra os inimigos na região e em Washington. Para Khamenei, essa luta é muito mais do que soberania; é o próprio futuro do regime autoritário que comanda desde 1979.
Mas será que Israel e Irã têm força para realmente chegar até o fim desse confronto? Israel tem um dos exércitos mais modernos do mundo, com suporte direto dos EUA, mas mesmo assim entrou em estado de emergência, suspendeu aulas e avisou que não pode garantir “sucesso total”. O Irã, mesmo com equipamentos mais antigos, tem mísseis balísticos, drones avançados e uma rede de aliados como Hezbollah (Líbano), Houthis (Iêmen) e milícias no Iraque, capazes de complicar muito a vida dos israelenses.
O envolvimento dos EUA pode ser o ponto de virada. Washington já deixou claro que não participou da ofensiva, mas mantém mais de 40 mil soldados no Oriente Médio, e um conflito aberto ali poderia puxar os americanos para o meio da guerra. Donald Trump, com menos de seis meses no cargo, não quer guerra, mas pode acabar não tendo escolha. Já o Irã não parece querer puxar os EUA para a briga, pelo menos por enquanto.
Do ponto de vista econômico, o ataque fez o mercado reagir: ações caíram, títulos subiram e o preço do petróleo disparou, refletindo a instabilidade. Historicamente, analistas dizem que Israel sozinho não conseguiria destruir o programa nuclear iraniano — para isso precisaria mesmo do apoio americano. E os EUA sempre evitaram essa opção por causa dos custos políticos, militares e econômicos.
Por fim, a ofensiva israelense pode ter um efeito colateral muito perigoso: o Irã pode abandonar de vez as negociações com os EUA e romper com o tratado de não-proliferação nuclear. Hoje, o programa iraniano é fiscalizado pela ONU, o que, apesar de tudo, ainda impede que eles avancem livremente. Sem esses controles, o mundo pode enfrentar uma ameaça nuclear muito mais séria e descontrolada.
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